segunda-feira, 14 de junho de 2010

Reforma revê direitos autorais

Por Tatiana de Mello Dias para o jornal O Estadão
O Ministério da Cultura (MinC) lança na segunda-feira a consulta pública que ajudará a definir o texto da reforma da Lei de Direitos Autorais. Foram vários adiamentos sucessivos e muita discussão – principalmente entre o MinC e as entidades de arrecadação privada. A consulta pública será totalmente online. “A ideia é debater aspectos mais ou menos nos moldes do Marco Civil da Internet”, explica Alfredo Manevy, secretário executivo do MinC.

“Eu acho que o processo demorou bastante, bem mais do que o previsto. Poderia ter sido concluído há um ano e meio”, critica Pablo Ortellado, professor da USP e coordenador do Grupo de Pesquisa em Políticas Públicas para o Acesso à Informação (Gpopai). O grupo participa da Rede pela Reforma da Lei de Direito Autoral, que reúne 20 organizações (como CTS-FGV, UNE e Idec) e pressiona o MinC a liberar o texto desde o ano passado.

Distração. O temor é que o debate perca força por causa da Copa do Mundo e das eleições. Além da pressão pela aprovação, o MinC também enfrentou resistência das entidades privadas contrárias à mudança. A Associação Brasileira de Música e Artes (Abramus) diz, por exemplo, que a lei 9.610 é atual e precisa só de retoques.

A principal diferença é que a nova legislação prevê um espaço para uso amigável e também mais flexibilidade para os autores discutirem prazos e condições de cessão de direitos, além da criação de um Instituto Nacional de Direito Autoral responsável por regular a atuação das entidades privadas. Esse é o ponto mais criticado pelas entidades de arrecadação, que acusam o MinC de estatização. O Ministério prefere definir as mudanças como a “criação da figura de um ‘Estado indutor’”.

Por ser tão restritiva, a legislação anterior, a lei 9.610, de 1998, foi considerada pela ONG Consumers International como a sétima pior do mundo em termos de acesso à educação. Ao pé da letra, a atual LDA proíbe fotocopiar livros para fins educativos, copiar obras para fim de conservação e usar pequenos trechos para remix. A nova legislação deve criar mecanismos para legalizar esses três exemplos.

“A ideia é ter um mecanismo para os autores ficarem mais independentes”, diz Samuel Barrichello, coordenador-geral de regulação em direitos autorais do MinC. Além disso, “a proposta é que 50% do valor da obra vá para o autor”. O Instituto de Direito Autoral não determinará valores, mas definirá regras básicas de atuação das entidades de arrecadação. “É meio obrigatório existir gestão coletiva. Mas esses órgãos precisarão ser registrados no ministério.”

Acesso. A legislação não só deve proteger e garantir que o autor receba por sua criação mas também garantir que o público tenha acesso aos bens culturais – e é esse o ponto criticado pela Consumers International. O novo projeto de lei deverá prever uma série de exceções e limitações para que, por exemplo, seja permitido digitalizar um filme cujo diretor não seja mais localizável. E também regulamentará o remix, a possibilidade de uso de pequenos trechos da obra. “A ideia é criar flexibilidade para que se possa usar uma obra sem infringir os direitos autorais”, diz Barrichello.

Para Para Ortellado, a reforma da lei traz avanços importantes, mas poderia trazer mudanças mais ousadas – como a diminuição dos prazos de proteção (que continua a ser de 70 anos) e a regulação do compartilhamento na internet. “Poderíamos aproveitar essa janela de oportunidade”, sugere. “É preciso falar mais em trazer remuneração pela música na internet”, sugere o produtor Pena Schmidt, que, junto de Ortellado, também assina o manifesto pela mudança da LDA. “Não há porque criminalizar a fruição da nossa cultura. É preciso descobrir como cobrar e remunerar os direitos adequadamente, sem tratar os ouvintes e promotores como inimigos.”

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Mais vencedores dos prêmios da ABL

Retirado do Caderno Prosa & Verso do Globo

A Academia Brasileira de Letras anunciou nesta quarta-feira os ganhadores do Prêmio ABL de 2010 nas categorias ficção, infantojuvenil, tradução e poesia. Na terça-feira a ABL já havia divulgado o nome do crítico literário Benedito Nunes como o vencedor do maior prêmio da casa, o Machado de Assis, dado pelo conjunto da obra.

O escritor carioca Rodrigo Lacerda venceu na categoria ficção (que engloba conto, romance, teatro) com o livro "Outra vida" (Alfaguara). Na categoria infantojuvenil o vencedor foi "Marginal à esquerda" (RHJ Livros), da escritora e ilustradora mineira Ângela Lago. Já o prêmio para tradução foi para as mãos do pernambucano Milton Lins, pelo livro “Pequenas traduções de grandes poetas”. Finalizando a lista, o livro “A máquina das mãos” (7Letras) deu ao maranhense Ronaldo Costa Fernandes o prêmio na categoria poesia.

A cerimônia de premiação acontecerá no Petit Trianon dia 20 de julho, no 113 aniversário da ABL. Cada um dos vencedores receberá, além do diploma, R$ 50 mil. Benedito Nunes receberá R$ 100 mil pelo Machado de Assis.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

LBF to host complementary business lounge at BEA

London Book Fair will have a complementary business lounge at this year's BookExpo America, with meeting areas, an internet cafe and will screen highlights of this year's London Book Fair.


Organisers said the lounge was to recognise those who could not attend April's fair because of the widespread disruption caused by the volcanic ash cloud. The lounge will be in the 4E Terrace off the Crystal Palace. The organisers will also have stand on the show floor for sales enquiries.

LBF will also launch its new Connect service at BEA, a social networking site that allows members to create profiles, search for visitors and exhibitors, communicate and arrange meetings.

Alistair Burtenshaw, group exhibition director of London Book Fair, said: "LBF 2010 was certainly memorable both for those who were there and those who couldn’t get there! It is our pleasure to be able to provide a corner of LBF and Britain in a sister fair here in New York.

"We are delighted to have the opportunity to meet with those who were grounded this year due to the volcanic ash and to bring a taste of The London Book Fair both through showcasing some of our seminars and events but also through the ever British medium of tea and cakes.

"This is just one of the ways we are thanking our customers for their support of us and also a fantastic opportunity to provide a networking forum just six weeks after The London Book Fair."

Extraído do Book Seller em 21/08/2010.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Dez mandamentos do agente

Retirado do site da PublishNews e escrito pela agente literária Marisa Moura

Na nossa primeira coluna falamos que o agente é “o profissional que percorre o mercado editorial captando autor, mapeia o editor, considera o distribuidor, é também um observador do livreiro e conversador tal qual um leitor. Sempre conectado a todos os movimentos de procura de livros nas áreas que atua: seja ficção, seja ensaio etc.” E ainda perguntamos: mas como o agente faz tudo isto? Hoje relacionamos dez principais mandamentos que o agente segue:


1. Administrar (vender e gerir) direitos autorais para qualquer forma de publicação, respeitando as leis de direitos autorais e preservando o respeito à obra no mercado.

Não considere seu agente apenas como um vendedor, estará perdendo grandes oportunidades que são resultado dessa parceria.

2. Transitar e desenvolver bons relacionamentos com o mercado. Criar boas parcerias entre editores e autores.

Seu agente deve saber quem é quem no mercado no qual você deseja publicar. Os agentes, cada um a seu modo, cultivam relações.

3. Informar, claramente, seus clientes de todo processo de administração.

Nem sempre o que um agente tem para lhe falar é o que você deseja ouvir. Mas saiba, nenhum agente desiste de defender seus clientes.

4. Conciliar todas as partes envolvidas nos contratos de publicação. Tornar-se um ponto de apoio para resolver desafios.

Manter uma excelente relação entre todos os envolvidos nos contratos é a principal meta de um agente. Incitar sempre boas parcerias em todas as áreas.

5. Planejar a administração das obras, visando a carreira do autor ou editora no mercado nacional ou internacional.

Na função de administrador, o agente procura o melhor espaço para seus clientes no mercado.

6. Orientar seus clientes a tomar decisões, baseado sempre em atualizadas pesquisas e informações sobre o mercado.

Saber dos riscos e das vantagens em cada decisão garante segurança para sua carreira.

7. Manter uma comunicação fácil, ágil e honesta com seus clientes.

Comunicar implica na boa vontade de duas pessoas, confira as possibilidades das partes.

8. Conhecer as ferramentas de texto para o tipo de obra que está prestando serviço, seja ficção ou não-ficção.

Basicamente, o agente é um leitor intenso de obras, de tendências, de informações. Alguns vão além, criam projetos, fazem o serviço de coach, participam ativamente do processo de criação do livro.

9. Saber como e porquê defender a administração de uma obra ou carreira. Em muitos casos, o agente, realmente, admira seus clientes e suas obras.

Com muitos ou poucos argumentos, o agente vai defender seus clientes e mais justificar a necessidade deles no mercado.

10.Acompanhar a carreira de seus clientes, sempre procurando explorar novas atividades.

Esse último mandamento é seguido a dois, se o cliente esconde seus feitos, pode estar desejando um detetive. Pense nisso.

Concluindo, sabemos que você pesquisou muito sobre esse profissional, leu tudo em português e inglês (língua na qual você vai encontrar muito mais informações disponíveis), certo? Pois bem, quando for fechar contrato, pondere com o agente tudo sobre o serviço. Se for o caso, relacione item a item e converse sobre o que inclui cada serviço que está sendo contratado.

Uma coisa que você, como autor, não deve se esquecer jamais é de que o agente literário age sobre algo concreto. Podem ser obras, informações, ideias, contratos, uma lista variada. Mas o único, o exclusivo fornecedor desse algo será sempre o autor. Sem ter uma comunicação aberta e honesta com o agente que escolher, o autor está aos poucos desfazendo o contrato, que pode ter sido muito difícil de conseguir.
Está aberta a inscrição do Prêmio SESC de Literatura 2010.

Autores estreantes têm até o dia 30 de setembro para inscrever seu romance ou livro de contos, inéditos. Lançada em 2003, a premiação tem o objetivo de revelar novos talentos e promover a literatura nacional. E o prêmio não poderia ser melhor: os vencedores nas duas categorias terão as obras editadas e distribuídas pela Record e participarão da programação literária das unidades do Sesc. Além disso, ganham 10% do valor de capa quando o livro for comercializado em livrarias. O Prêmio SESC é a porta de entrada para alguns bons escritores, que continuaram lançando livros depois da premiação. Entre eles, André de Leones, vencedor em 2005 com o romance Hoje está um dia morto, e Lucia Bettencourt, que ficou, também em 2005, com o primeiro lugar na categoria contos com A secretária de Borges. Outros bons exemplos são os de Wesley Peres (Casa entre vértebras, 2006) e Maurício de Almeida (Beijando dentes, 2007). A edição 2009 teve 667 inscrições, maior número desde sua criação. Confira o regulamento no site.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Foucault's pendulum is sent crashing to Earth

Historic instrument is irreparably damaged in an accident at a Paris museum.
Clea Caulcutt reports

If there were ever any truth in the esoteric tales of Umberto Eco's bestselling novel Foucault's Pendulum, it seems that the key to that knowledge has been lost.

The original pendulum, which was used by French scientist Leon Foucault to demonstrate the rotation of the Earth and which forms an integral part of Eco's novel's labyrinthine plot, has been irreparably damaged in an accident in Paris.

The pendulum's cable snapped last month and its sphere crashed to the marble floor of the Musee des Arts et Metiers.

In 1851, Foucault used the pendulum to perform a sensational demonstration in the Paris Pantheon, proving to Napoleon III and the Parisian elite that the Earth revolved around its axis. Such was its success that the experiment was replicated throughout Europe.

Thierry Lalande, the museum's ancient scientific instruments curator, said that the pendulum's brass bob had been badly damaged in three places and could not be restored.

"It's not a loss, because the pendulum is still there, but it's a failure because we were unable to protect it," he said. The circumstances surrounding the accident have raised eyebrows in France.

The museum regularly hosts cocktail parties in the chapel that houses the pendulum, and Mr Lalande admitted that several alarming incidents had occurred over the past year. In May 2009, for example, a partygoer grabbed the 28kg instrument and swung it into a security barrier.

Amir D. Aczel, research Fellow in the history of science at Boston University, described the news of the accident as "saddening".

"It is certainly one of the most important historical instruments of all time. It's a bit like hearing that one of the statues at the Vatican has been broken," he said.

Foucault's experiment involved releasing a pendulum and watching the Earth rotate under its oscillation frame. Dr Aczel said that it brought "closure for Galileo" and led the Church to accept the rotation of the Earth.

William Tobin, a retired astronomy lecturer and biographer of Foucault, said that the accident was embarrassing for the museum, and a blow for academia.

Dr Tobin helped to identify the pendulum used by Foucault from among the other similar instruments held in the museum, and said that examining old instruments in the flesh "tells you more about the development of science than the written record can".

However, Thibault Damour, professor of theoretical physics at the Paris Institut des Hautes Etudes Scientifiques, said scholars would find comfort in the fact that the legacy of Foucault's experiment, which asked "fundamental questions about the nature of space and time", lived on in "Einstein's thought and in current experiments".

In particular, he pointed to a recent Nasa mission, Gravity Probe B, which verified Einstein's theory of relativity, which explains why the oscillation plane of the pendulum does not remain fixed in absolute space, as expected by Foucault, but is slowly dragged by the presence of the rotating Earth.

Extraído do Times Higher Education

Romance reconstitui Império Romano com bom humor


Alvaro Costa e Silva, Jornal do Brasil



RIO - O centésimo em Roma, de Max Mallmann, agrada e surpreende: é um bem-humorado romance histórico escrito com base em uma sólida pesquisa, com direito a epígrafes de Plutarco e Machado de Assis. Para se ter uma ideia de quanto o autor é apaixonado e pesquisou o assunto, basta ler as extensas “Notas diversas (ou o quê, quem, onde, quando, por quê e como, mas não nessa ordem” que fecham o volume. O herói é o ambicioso centurião Publius Desiderius Dolens, que, depois de sete anos combatendo bárbaros na Germânia, onde ganhou o epíteto de Carniceiro de Bonna, está de volta às vielas da cidade eterna. Isso em 68 d.C., quando as legiões romanas dominavam o mundo. Nero, o insano, imperava. Nesta entrevista, Max Mallmann fala de seu fascínio pela antiguidade, da pesquisa que realizou para escrever o livro e de como o cinema e a literatura veem a Roma Antiga.

Veja a entrevista completa com Max Mallmann no JBOnline ou no site do autor